quinta-feira, 31 de maio de 2012

‘Economia verde’ pode gerar até 60 milhões de novos empregos, diz OIT


‘Economia verde’ pode gerar até 60 milhões de novos empregos, diz OIT’



Metade da força de trabalho mundial será afetada pela 'ecologização'.
No Brasil, três milhões de empregos já teriam sido criados.

Do G1 em São Paulo
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A transição para uma economia mais verde poderia gerar entre 15 e 60 milhões de novos empregos em nível mundial nas próximas duas décadas e tirar dezenas de milhões de trabalhadores da pobreza, segundo um relatório produzido pela Iniciativa Empregos Verdes -uma parceria entre o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), Organização Internacional do Trabalho (OIT), Organização Internacional de Empregadores (OIE) e a Confederação Sindical Internacional (CSI).

quarta-feira, 23 de maio de 2012

Controle Estatístico do Processo (CEP)

Controle Estatístico do Processo (CEP)

O controle da qualidade de um processo produtivo envolve a realização das seguintes etapas consecutivas:
  • Definição de um padrão a ser atingido;
  • Inspeção (medir o que foi produzido e comparar com o padrão);
  • Diagnóstico das não-conformidades (descrição do desvio entre o que foi produzido e o padrão);
  • Identificação das causas das não conformidades ou defeitos;
  • Ação corretiva para eliminação das causas;
  • Atualização dos padrões (produto ou processo).
O CEP é uma ferramenta com base estatística, de auxílio ao controle da qualidade, nas etapas do processo, particularmente no caso de processo de produção repetitivo. Hoje, mais do que uma ferramenta estatística, o CEP é entendido como uma filosofia de gerenciamento (princípios de gerenciamento) e um conjunto de técnicas e habilidades, originárias da estatística e da engenharia de produção, que visam garantir a estabilidade e a melhoria contínua de um processo de produção. Em resumo, visa o controle e a melhoria do processo. Os princípios fundamentais para implantação e gerenciamento do CEP são:
  • Pensar e decidir baseado em dados e fatos;
  • Pensar separando a causa do efeito, buscar sempre conhecer a causa fundamental dos problemas;
  • Reconhecer a existência da variabilidade na produção e administrá-la;
  • Usar raciocínio de prioridade (Pareto);
  • Girar permanente e metodicamente o ciclo de controle (Ciclo PDCA), visando a melhoria contínua do desempenho;
  • Definir o próximo processo/etapa/posto de trabalho como cliente da etapa anterior e o cliente define a qualidade esperada;
  • Identificar instantaneamente focos e locais de disfunção e corrigir os problemas a tempo;
  • Educar, treinar e organizar a mão de obra visando uma administração participativa e o autocontrole.
As principais técnicas de apoio ao CEP são:
  • Amostragem (Inspeção, Planos de Amostragem);
  • Folha de Verificação;
  • Histograma/Gráficos;
  • Diagrama de Pareto;
  • Diagrama de Causa e Efeito/6M/Espinha de Peixe;
  • Estratificação;
  • Gráficos de Controle (Gráficos de Shewhart);
  • Diagrama de Correlação.
Mas, por que controlar o processo? Porque do processo de produção podem resultar itens (produtos) não conformes/defeituosos ou a porcentagem de defeituosos pode variar ao longo do tempo. O que causa a produção de defeituosos é a existência de variação nos materiais, nas condições do equipamento, nos métodos de trabalho, na inspeção, nas condições da mão-de-obra, e em outros insumos, etc. A variação que ocorre num processo de produção pode ser desmembrada em duas componentes: uma de difícil controle, chamada variação aleatória, e outra chamada variação controlável.
Assim a equação da variação total de um processo pode ser escrita como sendo: variação total = variação aleatória + variação controlável. Se as variações forem conhecidas, controladas e reduzidas, os índices de produtos defeituosos certamente se reduzirão. Esses dois tipos de variação exigem esforços e capacitação, técnica e gerencial, diferenciados para o seu controle. O CEP auxilia na identificação e priorização das causas de variação da qualidade (separação entre as poucas causas vitais e as muitas triviais) e objetiva controle ou eliminação (aprisionamento) das causas fundamentais dos defeitos. Clique no link e acesse um texto sobre asDIRETRIZES BÁSICAS PARA IMPLANTAÇÃO DO CEP:http://qualidadeonline.files.wordpress.com/2009/11/diretrizes-basicas-para-implantacao-do-cep.pdf

domingo, 20 de maio de 2012

Família em Berlim testa casa autossuficiente em energia

Família em Berlim testa casa autossuficiente em energia

A casa do futuro produz toda a energia que consome a partir da luz solar. A eletricidade necessária para aquecer a água e mover carros e bicicletas é produzida sem a emissão de CO2.
Prover a própria energia consumida foi durante muito tempo um sonho para o alemão Jörg Welke. Agora, isso é realidade e virou até hobby para o historiador. Quando se chega à casa-modelo que está sendo testada por ele e a família, a atenção se volta para uma tela sensível ao toque instalada no corredor.
"Este é o controle principal da casa, aqui podemos ligar a luz, subir e descer as persianas ou mesmo ligar a calefação", explica Welke, de 42 anos. Ele está testando a adequação da casa ao cotidiano de uma família juntamente com a esposa, Simone Wiechers, e dos filhos Freyja e Lenz.
A família ficou especialmente impressionada com a unidade de captação de energia solar no telhado, que também pode ser controlada. A pequena estação produz energia para a casa, aquece a água e abastece dois carros elétricos e duas bicicletas elétricas.
"É uma sensação muito boa porque andamos em carros que não emitem gases poluentes", afirma Welke. "Nós não recebemos energia de um fornecedor pela tomada, mas produzimos a energia que consumimos", ressalta.

Eficiência do gasto energético a apenas um toque da tela
O sistema fotovoltaico foi planejado para produzir 16.500 kWh ao ano – muito mais do que a família necessita em seu dia a dia. No apartamento em que moravam, o consumo anual era de 2.000 kWh. Mesmo abastecendo os carros elétricos, sobra energia. "Essa energia vai para uma bateria, que fica carregando", afirma Welke.
A bateria é um grande bloco cinza no jardim, feito com algumas dúzias de velhas baterias de carro. Com uma capacidade de 40 kWh, a função do bloco cinza é armazenar energia para ser usada à noite ou quando chove. "Isso nos torna de alguma maneira independentes das redes de transmissão".
Alta tecnologia para economizar energia
Mas, na prática, este "depósito" de energia ainda não está funcionando porque a bateria foi construída pela primeira vez e, por ter componentes de diversas empresas, estes ainda precisam ajustar-se uns aos outros.
Assim, a residência acaba não sendo uma perfeita casa do futuro. Mas isso não é problema para Lenz, de 8 anos, e Freyja, 12. Em seu blog na internet, Freyja fala de banhos diários de banheira aquecidos pela luz solar – mesmo que a mãe revele que não é bem assim.
Ela conta que agora a família agora consome energia de maneira mais despreocupada. "Antes, pensávamos bem se deveríamos encher a banheira para o banho. Agora, temos sempre essa boa sensação de que a água foi aquecida sem emissão de CO2".
Cercada por prédios altos antigos, mesmo o visual da casa de dois andares em estilo moderno, no centro de Berlim, é arrojado. Um dos lados da casa de dois andares é todo em vidro. Por trás dele, uma ampla e moderna sala com cozinha aberta e piso em madeira. A ideia é descobrir os problemas da moradia vivendo nela.

Jörg, a esposa e os filhos testam a Casa Eficiência há 15 meses
"Muita coisa em casa é automática, isso economiza energia", diz Welke. Sensores de movimento só acendem a luz quando alguém se aproxima. O funcionamento dos aparelhos pode ser programado, um bom isolamento e a ventilação coordenada através de uma central automática zelam por uma boa temperatura ambiente.
Muitas tomadas
Tomadas por toda a casa e fora dela carregam as baterias. Já a do carro tem uma tecnologia própria. O veículo fica estacionado em cima de uma placa de metal. "É um ímã, o outro pólo está dentro do carro", conta o proprietário, explicando que o veículo, assim, não precisa de cabo ou tomada para ser carregado. "Não preciso me preocupar, o carro simplesmente fica aí, estacionado, e pela manhã, quando eu preciso sair, ele está carregado de novo".
Agora, quando a família sai para passear, precisa se informar antes onde fica o posto de carregamento mais próximo. Outro desafio é como "abastecer" o carro quando se anda mais de 150 quilômetros, pois esta é a autonomia da bateria do veículo. Em um posto de carga convencional, ou seja, com tomadas de 230 volts, uma carga pode durar até nove horas.
Autor: Richard Fuchs (msa)
Revisão: Roselaine Wandscheer

terça-feira, 15 de maio de 2012

Gráficos ou Cartas de Controle

2 - Gráficos ou Cartas de Controle

Carta de controle é um tipo de gráfico utilizado para o acompanhamento de um processo. Este gráfico determina estatisticamente uma faixa denominada limites de controle, que é limitada pela linha superior (limite superior de controle) e uma linha inferior (limite inferior de controle), além de uma linha média. O objetivo é verificar, por meio do gráfico, se o processo está sob controle, isto é, isento de causas especiais. 

Gráficos de Controle
Para distinguir as variações do processo que anteriormente chamamos de comuns e especiais, e detectar as especiais, foi desenvolvida uma ferramenta que, desde então, denominamos Cartas ou Gráficos de Controle.
As funções destes gráficos são:
  1. “Mostrar evidências de que um processo esteja operando em estado de controle estatístico e dar sinais de presença de causas especiais de variação para que medidas corretivas apropriadas sejam aplicadas”.
  2. “Manter o estado de controle estatístico estendendo a função dos limites de controle como base de decisões”.
  3. “Apresentar informações para que sejam tomadas ações gerenciais de melhoria dos processos”.

Formas de aplicação
A forma mais usual dos gráficos de controle envolve registros cronológicos regulares (dia-a-dia, hora-a-hora, etc) de uma ou mais características (por exemplo, média, amplitude, proporção, etc) calculadas em amostras obtidas de medições em fases apropriadas do processo. Estes valores são dispostos, pela sua ordem, em um gráfico que possui uma linha central e dois limites, denominados “limites de controle” (ver Figura 2.1).
Os gráficos de controle fornecem assim uma regra de decisão muito simples: pontos dispostos fora dos limites de controle indicam que o processo está “fora de controle”. Se todos os pontos dispostos estão dentro dos limites e dispostos de forma aleatória, consideramos que “não existem evidências de que o processo esteja fora de controle".
Podemos observar no primeiro gráfico que os dados estão dispostos entre os limites do intervalo, exceto uma observação. Observe também que há indícios de falta de aleatoriedade no gráfico $ \overline{X} $ (os últimos 8 pontos estão abaixo da linha central), entretanto, o gráfico da Amplitude apresenta um comportamento supostamente aleatório.
Figura 2.1: Modelo de gráficos de controle.

Benefícios dos gráficos de controle
Os gráficos de controle, ao distinguir as causas comuns das causas especiais de variação e indicar se o problema é local ou merece atenção gerencial, evita frustrações e o custo de erros no direcionamento da solução de problemas.
Ao melhorar o processo os gráficos de controle produzem:
  1. Um aumento na porcentagem de produtos capazes de satisfazer aos requisitos do cliente.
  2. Uma diminuição do retrabalho e sucata, diminuindo, conseqüentemente, os custos de fabricação.
  3. Aumenta a probabilidade geral de produtos aceitáveis.
  4. Informações para melhoria do processo.
Para que possamos atingir os benefícios da aplicação do CEP, a organização precisa se preparar:
  • Filosofia da gerência
As decisões da gerência da empresa podem afetar diretamente os programas de CEP em:
  1. Focar a organização da empresa na diminuição da variação;
  2. Estabelecer um ambiente aberto que minimize as competições internas e de suporte para o trabalho em equipe;
  3. Dar suporte e favorecer os treinamentos necessários;
  4. Aplicar o CEP para promover um melhor entendimento das variações da engenharia de processo;
  5. Aplicar o CEP para gerenciar os dados e usar a informação obtida nas decisões do dia a dia.
  • Filosofia da engenharia
Como a engenharia usa a informação para poder planejar o desenvolvimento que podem e irão ter influência no nível de variação do produto final, apresentamos algumas maneiras de como a engenharia pode mostrar o uso efetivo do CEP:
  1. Focar a organização na redução da variação através do planejamento do processo, ou seja, número de mudanças no design, planejamento da manufatura e montagem;
  2. Estabelecer um ambiente aberto que minimize a competição interna e prevaleça o trabalho em equipe;
  3. Dar suporte para que os funcionários envolvidos no processo façam treinamentos adequados;
  4. Aplicar o CEP para promover um melhor entendimento das variações da engenharia de processo;
  5. Exigir um melhor entendimento da variação e estabilidade em relação aos dados que são usados no desenvolvimento do projeto;
  6. Favorecer as mudanças na engenharia do produto que foram fruto das análises do CEP que podem ajudar na diminuição da variação.
  • Manufatura
Como a manufatura desenvolve e opera máquinas e os sistemas de transferência que
podem impactar o nível e o tipo de variação no produto final.
  1. Focar a organização da manufatura na redução da variação, isto é, controlar o número de diferentes processos, o impacto dos processos multi ferramentais, ferramentas e máquinas de manutenção, etc;
  2. Estabelecer um ambiente de engenharia aberto que possa minimizar a competição interna e dar suporte para o trabalho de equipe;
  3. Incentivar, manter e treinar os funcionários no uso do CEP;
  4. Aplicar o CEP para entender a variação e estabilidade dos dados que serão usados no desenvolvimento do processo;
  5. Usar as análises do CEP para promover melhorias no processo;
  6. Não passar a responsabilidade pelas cartas de controle para os operadores até que o processo esteja sob controle. A transferência de responsabilidade do processo só deve ocorrer quando o processo estiver sob controle.
  • Controle da qualidade
O controle da qualidade é um componente crítico que provê suporte para as melhorias sugeridas pelo uso do CEP.
  1. Dar suporte ao treinamento para manutenção do CEP;
  2. Focar as pessoas na aplicação do CEP;
  3. Ajudar na identificação das causas de variação do processo;
  4. Assegurar que o uso correto das informações provenientes do programa de CEP estejam sendo corretamente utilizadas.
  • Produção
As pessoas envolvidas na produção estão diretamente relacionadas ao processo e a efetividade da variação do processo. Elas devem:
  1. Estar treinadas na aplicação do programa de CEP para resolver problemas;
  2. Ter entendimento da variação e estabilidade em relação aos dados e as informações que estarão sendo usadas no programa de CEP;
  3. Estar alertas! A comunicação entre a equipe é importante quando a situação muda;
  4. Atualizar, manter e disponibilizar as cartas de controle com a equipe responsável;
  5. Aprender com as informações coletadas do processo.
A seguir, apresentamos os gráfico mais simples e utilizados nas organizações.
Tipos de gráficos de controle
Existem dois tipos básicos de gráficos de Controle:
  • Gráficos por variáveis:
    • Gráficos $ \overline{X} $ e R (média e amplitude)
    • Gráficos $ \overline{X} $ e S (média e desvio padrão)
    • Gráficos $ \widetilde{X} $ e R (mediana e desvio padrão)
    • Gráficos para Valores Individuais (X) e Amplitude Móvel (MR)
  • Gráficos por atributos:
    • Gráfico p (proporções não conforme)
    • Gráfico np (unidades não conforme)
    • Gráfico c (número de não conformidade por unidade)
    • Gráfico u (taxa de não conformidade por unidade)

sábado, 12 de maio de 2012

Consumidores brasileiros estão menos preocupados com sustentabilidade

Consumidores brasileiros estão menos preocupados com sustentabilidade

Congresso realizado no Rio de Janeiro nesta quinta-feira, dia 10, debateu como preservar o planeta em uma economia que estimula cada vez mais as compras

Por Leticia Muniz, do Mundo do Marketing | 11/05/2012

leticia.muniz@mundodomarketing.com.br

consumo,sustentabilidade,sustentável,Santanderconsumidor está menos preocupado com a sustentabilidade. Na medida em que aumenta renda e, consequentemente, o consumo, a preocupação com questões que contribuam para o bem do planeta diminui entre os brasileiros. Segundo a Pesquisa Nacional de Consumo Consciente 2012, divulgada pela Fecomércio-RJ, 37% da população não leva em conta a preservação ambiental no dia a dia. Em 2007, esse número era de apenas 26%.
 
Se antes 26% procuravam consumir produtos com menos impacto para o meio ambiente, hoje, somente 22% mantêm essa preocupação. Em 2007, 42% plantavam árvores ou cuidavam de jardins, contra os atuais 37% que mantêm esse costume. O levantamento aponta ainda que o brasileiro está deixando de fazer coisas simples, que além de preservar o ambiente contribuem para o próprio bolso.
Em 2007, 74% dos pesquisados se preocupavam em utilizar sobras de refeições para fazer uma nova refeição. Esse percentual caiu para 67% em 2012. Da mesma forma, no período anterior, 24% diziam lavar a calçada de casa com água de mangueira. O número subiu para 27% em 2012. Até os hábitos de fechar a torneira para escovar os dentes e de apagar as luzes ao sair de um ambiente, que eram quase unânimes na última edição do estudo, realizados por 92% e 93% da população, respectivamente, foram deixados de lado por uma parte dos pesquisados nos últimos cinco anos, com índices que caíram para 89% e 91%, respectivamente.
Sustentabilidade nas empresas
Por outro lado, vem crescendo o número de empresas preocupadas com o desenvolvimento de ações voltadas para a questão socioambiental, ainda que não haja uma fórmula para se medir a sustentabilidade. Um dos exemplos é o Santander, que atua com projetos de empreendedorismo e formação de mão-de-obra. Atualmente, a companhia treina um grupo de 200 mil pessoas em idiomas estrangeiros para que possam atuar nos eventos esportivos que serão realizados no Brasil.
 
“Hoje, qualquer empresa de visão tem que ser sustentável. E esta sustentabilidade precisa também prever custos. Se uma empresa de energia, por exemplo, não coloca em sua previsão uma mancha no mar, não há como dar certo. A mensuração em todas as suas formas é fundamental”, explicou Marina Grossi, Presidente Executiva do Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS), durante o Congresso Sustentável 2012, realizado ontem, dia 10, no Rio de Janeiro.
 
Mas como é possível para uma empresa vencer o desafio de produzir e ser ao mesmo tempo sustentável? Segundo os especialistas que participaram dos debates do Congresso, a resposta está no investimento em tecnologia.
“Podemos fazer isso através da inovação, investindo em tecnologia. Estamos falando em produzir mais com menos. O que se busca é colocar metas para encontrar resultados concretos nessa área. É preciso focar na sustentabilidade para pessoas”, disse Gianne Zimmer, Diretora do Departamento de Desenvolvimento Sustentável da Vale.
Aumento da renda e do consumoconsumo,sustentabilidade,sustentável,Santander
A renda do brasileiro cresce com a mesma velocidade que o consumo. Um levantamento feito por Marcelo Côrtes Neri, Chefe do Centro de Políticas Sociais da FGV, aponta que a classe AB expandirá 29% nos próximos três anos, enquanto a C terá um aumento de 11%.
Nos últimos oito anos, os índices chegaram a 54% de desenvolvimento na Classe AB e 46% na Classe C. Ainda de acordo com a pesquisa, até 2014, 74% da população das regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste farão parte das Classes A, B e C.
Atualmente, o conceito de sustentabilidade deixa de ser apenas uma responsabilidade das empresas para ser também uma obrigação do consumidor. Com o avanço da tecnologia, cada vez mais produtos são lançados, com prazo de validade propositalmente curto, como os smartphones e tablets, cujas tecnologias são rapidamente superadas. Apenas dois em cada 10 brasileiros, entretanto, se preocupam em consumir produtos considerados sustentáveis.
“Com o crescimento do poder aquisitivo da população e o aumento da chamada Nova Classe Média o problema tende a ser maior. Não há como dizermos para estas pessoas que elas não podem consumir como nós consumimos. É preciso uma mudança no comportamento e isso só pode se dar a partir da educação”, afirmou o economista Sérgio Besserman, Presidente do Grupo de Trabalho da Prefeitura para a Rio+20.

sexta-feira, 11 de maio de 2012

Aquecimento global ameaça segunda maior plataforma de gelo da Antártica



Aquecimento global ameaça segunda maior plataforma de gelo da Antártica


Área antes supostamente invulnerável pode ser severamente abalada pelo aquecimento global ainda neste século, apontam cientistas alemães. Derretimento significaria até 4,4 mm por ano a mais de aumento do nível do mar.
Uma área no leste da Antártica, até então considerada pouco afetada pelas alterações climáticas, ameaça derreter ainda neste século e aumentar o nível do mar. O alerta foi dado por cientistas alemães em um estudo publicado na revista Nature nesta semana.
Ao contrário do que se acreditava, as alterações climáticas também estão agindo sobre o Mar de Weddell, o maior mar marginal do Oceano Antártico. De acordo com os pesquisadores do Instituto Alfred Wegener de Pesquisa Polar e Marítima, massas de água quente estão danificando a plataforma de gelo de Filchner-Ronne – a segunda maior da Antártica, com 470 quilômetros quadrados.
Plataformas de gelo são grandes placas que flutuam sobre o mar, ligadas à terra por uma geleira e de cujas extremidades são constantemente liberados icebergs. Cerca de um quarto do fluxo de gelo da Antártica provém da Filchner-Ronne.
Com o derretimento, a plataforma deixaria de funcionar como barreira de proteção contra águas aquecidas. "Plataformas de gelo são como rolhas de garrafa para o gelo terrestre", explica Harmut Hellmer, principal autor do estudo. "De acordo com nossos cálculos, essa barreira de proteção [Filchner-Ronne] se desintegrará até o fim deste século."
Como consequência, uma grande quantidade de gelo terrestre poderia deslizar para o mar e significar até 4,4 mm por ano a mais de aumento do nível do mar, preveem Hellmer e sua equipe. De acordo com as últimas estimativas, o nível do mar global aumentou 1,5 mm por ano entre 2003 e 2010 devido ao derretimento de geleiras e plataformas de gelo.
Previsões alarmantes
Até o momento, acreditava-se que a plataforma de gelo do Mar de Weddell não era diretamente afetada pelo aquecimento global por conta de sua localização periférica. "Áreas como a plataforma Filchner-Ronne foram consideradas por muito tempo invulneráveis", diz Hellmer. As massas de água do Mar de Weddell pareciam frias o suficiente para não permitir que a plataforma derretesse.
Temperaturas do ar em ascensão poderiam, porém, criar uma ponte térmica na zona fria dentro dos próximos 60 anos e tornar o gelo – hoje sólido – quebradiço, alerta Hellmer. Com isso, seria destruída uma fronteira de massas de água que, até então, impedia o fluxo de águas quentes sob a plataforma. "Se essa barreira de proteção se desintegrar até o fim do século, a plataforma Filchner-Ronne derreterá de baixo para cima."
Assim, a taxa de derretimento de gelo da plataforma cresceria dos atuais 5 metros para 50 metros por ano, estima o oceanógrafo alemão Jürgen Determann. Os cientistas ainda não sabem como exatamente o manto de gelo localizado atrás da plataforma reagiria no caso de um derretimento de tal dimensão, mas supõem que o gelo deslizaria para o mar a uma velocidade cada vez maior.
LPF/dpa/rtr
Revisão: Roselaine Wandscheer

terça-feira, 8 de maio de 2012

2030: o ano final do Cerrado

Carta 2030: o ano final do Cerrado
Estudos da ONG ambientalista Conservação Internacional Brasil (CI-Brasil) indicam que o Cerrado deverá desaparecer até 2030.

Estudos da ONG ambientalista Conservação Internacional Brasil (CI-Brasil) indicam que o Cerrado deverá desaparecer até 2030. Dos 204 milhões de ha originais, 57% já foram completamente destruídos e a metade das áreas remanescentes estão bastante alteradas, podendo não mais servir à conservação da biodiversidade. A taxa anual de desmatamento no bioma é alarmante, chegando a 1,5%, ou 3 milhões de ha/ano. As principais pressões sobre o Cerrado são a expansão da fronteira agrícola, as queimadas e o crescimento não planejado das áreas urbanas. A degradação é maior em Mato Grosso do Sul, Goiás e Mato Grosso, no Triângulo Mineiro e no Oeste da Bahia.

O estudo, feito a partir de imagens satélites, é resultado da parceria da CI-Brasil com a ONG Oréades, que tem sede em Mineiros (GO). “O Cerrado perde 2,6 campos de futebol por minuto de sua cobertura vegetal. Essa taxa de desmatamento é dez vezes maior que a da Mata Atlântica, que é de um campo a cada 4 minutos,” explica Ricardo Machado, diretor da CI-Brasil para o Cerrado e um dos autores do estudo. “Muitos líderes e tomadores de decisão defendem, equivocadamente, o desmatamento do Cerrado só porque não é coberto por densas florestas tropicais, como a Mata Atlântica ou a Amazônia. Essa posição ignora o fato de o bioma abrigar a mais rica savana do mundo, com grande biodiversidade, e recursos hídricos valiosos para o Brasil. Nas suas chapadas estão as nascentes dos principais rios das bacias Amazônica, do Prata e do São Francisco.”

Entre os problemas provocados pelo desmatamento no Cerrado estão a degradação de rios importantes como o São Francisco e o Tocantins, e a destruição de hábitat que compromete a sobrevivência de milhares de espécies, muitas delas endêmicas, ou seja, que só ocorrem ali e em nenhum outro lugar do Planeta, como o papagaio-galego (Amazona xanthops) e a raposa-do-campo (Dusicyon vetulus). Junto com a biodiversidade estão desaparecendo ainda as possibilidades de uso sustentável de muitos recursos, como plantas medicinais e espécies frutíferas que são abundantes no Cerrado.
Segundo a Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, já foram catalogadas mais de 330 espécies de uso na medicina popular no Cerrado. A Arnica (Lychnophora ericoides), o Barbatimão (Stryphnodendron adstringens), a Sucupira (Bowdichia sp.), o Mentrasto (Ageratum conyzoide) e o Velame (Macrosiphonia velame) são alguns exemplos.

“Além de calcular a velocidade do desmatamento, o estudo da CI-Brasil também mapeou os principais remanescentes desse bioma, analisando a situação de sua cobertura vegetal”, explica Mário Barroso, gerente do programa do Cerrado da Conservação Internacional Brasil e co-autor do estudo. “Esses dados serão incorporados à nossa estratégia de conservação para o bioma, que está baseada na implementação de corredores de biodiversidade.”

Os corredores de biodiversidade evitam o isolamento das áreas protegidas, garantindo o trânsito de espécies por um mosaico de unidades ambientalmente sustentáveis - parques, reservas públicas ou privadas, terras indígenas, além de propriedades rurais que desenvolvem atividades produtivas resguardando áreas naturais. Hoje, a CI-Brasil está implementando seis corredores de biodiversidade em regiões do Cerrado: Emas-Taquari, Araguaia, Paranã, Jalapão, Uruçuí-Mirador e Espinhaço. O IBAMA, a SEMARH - Secretaria de Meio Ambiente e Recursos Hídricos do Estado de Goiás, a Universidade de Brasília e ONGs locais estão entre os parceiros da CI-Brasil nesses corredores.


Dados subsidiam ações de conservação


Os dados do desmatamento no Cerrado começam a ser apresentados pela CI-Brasil e seus parceiros a tomadores de decisão dos mais diversos níveis. Em reunião do Conselho Nacional de Biodiversidade - CONABIO, no início de Julho, o estudo foi apresentado ao Secretário de Biodiversidade e Florestas, João Paulo Capobianco. Depois da apresentação, o Secretário declarou que o Ministério do Meio Ambiente criará um grupo específico para discussão de medidas emergenciais para o Cerrado, como foi feito para a Amazônia e a Mata Atlântica.


No Estado de Goiás, que possui muitos remanescentes nativos valiosos de Cerrado, a apresentação do estado de conservação do Vale no Paranã ao Conselho Estadual do Meio Ambiente resultou na criação de Câmara Técnica temporária que discutirá e proporá ações de controle sobre o desmatamento na área. O Vale do Paranã, localizado na divisa dos Estados de Goiás e Tocantins, é considerado um centro de endemismo de aves, tem a maior concentração no Cerrado de um tipo de formação vegetal conhecido como floresta seca, e é remanescente de um corredor natural que ligava a Caatinga ao Chaco paraguaio há cerca de 20 mil anos. O trabalho da CI-Brasil na área é feito em parceria com a Embrapa Recursos Genéticos, a Universidade de Brasília e as organizações não-governamentais Pequi e Funatura.


No Corredor de Biodiversidade Emas-Taquari, que compreende áreas no Sudoeste de Goiás, Sudeste de Mato Grosso e Centro-Norte de Mato Grosso do Sul, os dados de desmatamento estão sendo compartilhados com as prefeituras municipais de 17 municípios. Com o Projeto Municípios do Corredor de Biodiversidade, a CI-Brasil em parceria com as ONGs Oréades e Oikos está fortalecendo órgãos de meio ambiente municipais e estudais em cada cidade.


Técnicos e gestores foram capacitados para o levantamento local de dados, confecção de mapas e aplicação da legislação ambiental. O projeto inclui ainda a criação de núcleos de educação ambiental e o envolvimento de outros atores locais, como lideranças comunitárias e promotores públicos.


“Para frear a destruição do Cerrado, os investimentos do Governo Federal na próxima safra agrícola devem incluir ações de conservação, especialmente na proteção de mananciais hídricos, na recuperação de áreas degradadas e na manutenção de unidades de conservação”, defende Machado. “Se o Governo, as empresas e a sociedade civil se mobilizarem para a criação de um fundo para a conservação do Cerrado associado aos investimentos destinados à produção de grãos, aí sim estaremos implementando, de forma justa e efetiva, a transversalidade da política ambiental no Brasil”.
Revista Eco 21, Ano XIV, Edição 92, Julho 2004. (www.eco21.com.br) - Andrea Margit Jornalista

domingo, 6 de maio de 2012

CULTURA Era do cinema analógico chega ao fim depois de 125 anos



Era do cinema analógico chega ao fim depois de 125 anos
A invenção do rolo de celuloide deu início à história da imagem em movimento. Hoje, 125 anos mais tarde, chega ao fim a era da projeção analógica. E até as pequenas salas de cinema se curvam à tecnologia digital.
Oliver Hauschke, projecionista de um cineclube em Colônia, no oeste alemão, trabalha há 15 anos no setor, projetando em média 14 filmes por dia. Um trabalho árduo. "O filme é enviado em uma lata, dentro da qual ficam guardadas as partes do rolo de filme. Temos que 'colar' essas partes umas nas outras. Só para isso precisamos de uma hora", conta Hauschke.
O projecionista Oliver Hauschke comemora as novas técnicas
Apertar o play
Já nas salas multiplex de cinema, a projeção digital já é padrão. No Cinenova, onde Hauschke trabalha, a nova tecnologia só foi inserida há pouco. Em uma das três salas do cineclube, os filmes terão projeção digital, sem os rolos de filme. Todos os procedimentos manuais tornaram-se supérfluos desde a inserção da tecnologia digital. Hauschke confessa sua satisfação e diz não ter problemas em se despedir dos velhos rolos de filme.
Já a projecionista e cineasta iniciante Nicole Wegner vê a coisa com outros olhos. Ela adora usar o equipamento antigo. "É ótimo ligar um projetor. Aí ele começa a crepitar e a luz se acende. É lindo. Agora, com a tecnologia digital, meu trabalho não é mais tão agradável", diz ela. Com a projeção digital, o filme chega em um disco rígido ou em forma de arquivo no servidor, que por sua vez está ligado ao projetor. O projecionista não tem muito o que fazer.
"É preciso apenas apertar o play e pronto. Tudo acontece automaticamente: as cortinas se abrem, a luz se apaga, o projetor é ligado e o filme começa. No final, tudo funciona automaticamente de novo, no sentido oposto", descreve Wegner.
A eterna rotina de colocar e tirar filmes, cortar e separar deixa os dedos sujos, relata Hauschke. Ele não tem mais vontade de trabalhar desta forma.
Nicole Wegner: 'saudosismo'
Já para Nicole Wegner, a profissão de projecionista sempre foi um ofício artesanal que, como todos os outros, deixa as mãos sujas. Mas ela também vê as vantagens da nova tecnologia. "Não poderia ter feito meu último filme se tivesse sido obrigada a rodar analogicamente. Eu tinha 80 horas de material bruto. Revelar isso tudo não seria praticável do ponto de vista financeiro", analisa a projecionista e cineasta.
"Queremos uma imagem perfeita?"
A fase de testes com o projetor digital no Cinenova, onde Hauschke e Wegner trabalham, transcorreu sem maiores problemas. "Foi ótimo quando pude testar a nova tecnologia pela primeira vez", conta Hauschke. Ele está absolutamente convencido da qualidade da projeção digital.
"A imagem é mais nítida que no rolo de 35 milímetros. E posso passar o filme várias vezes, sem que ele fique gasto. O rolo de filme vai ganhando riscos com as projeções frequentes e ficando mais opaco", fala o projecionista.
Já Wegner se pergunta se isso incomoda, de fato, o espectador: "Queremos uma imagem perfeita? Gosto da imagem que respira, da imperfeição dentro dela, quando o filme encalha, porque ali as partes foram coladas".
Os primórdios dos rolos de filme
Hannibal Goodwin inventou o celuloide em 1887
A sujeira dos dedos dos projecionistas do futuro não teve ter sido algo em que o religioso norte-americano Hannibal Goodwin, que patenteou o celuloide há 125 anos, em 1887, tenha pensado. Sua invenção na época significou uma revolução, uma vez que as imagens, antes, só podiam ser gravadas em lâminas de vidro sensíveis à luz. Com o advento do celuloide, o filme se tornou praticamente infinito, já que passou a ser possível colar quantos filmes se quisesse uns nos outros. A sequência de 24 quadros por segundo é o que o olho humano registra como uma imagem fluida.
Mas foi o empresário George Eastman que conseguiu comercializar o celuloide de maneira bem-sucedida. O fundador da Kodak tornou a câmera com rolo de filme de celuloide acessível a qualquer pessoa. Em 1888, ele lançava no mercado a Kodak N°1 – câmera fotográfica compacta e leve. No entanto, o celuloide provou ser altamente explosivo e não foi mais usado desde os anos 1950. Desde então, passou-se a usar o rolo de filme de poliéster.
Peça de museu
Rolos de filme chegam a pesar até 25 quilos
A falência da Kodak no início deste ano foi o início do fim do filme de rolo. Embora haja até hoje filmes rodados em película de 35mm, a pós-produção é feita há anos com tecnologia digital. Grandes produções, como Avatar ou O Hobbit, são filmadas exclusivamente com uso de tecnologia digital.
Os distribuidores são os que obtêm mais vantagens com a digitalização do cinema, pois economizam os altos custos das cópias e do transporte de rolos de filme, que podem pesar até 25 quilos. Por outro lado, as salas de cinema são obrigadas a arcar com os custos da adaptação à tecnologia digital. Um projetor novo custa entre 60 e 80 mil euros.
Os pequenos cineclubes não têm, porém, alternativa. Daqui a pouco, os rolos de filme convencionais irão se extinguir. E a profissão do projecionista vai se tornar cada vez mais dispensável. Hauschke já teve sua carga horária reduzida e está pensando em encontrar outra profissão. Já Wegner quer continuar fazendo e projetando filmes – de preferência analógicos.
Autora: Silke Wünsch (sv)
Revisão: Francis França